abacaxi
?!:
o dia começa tenebroso. promete um algo a mais. fico tentado. é assim que vivo: não sei o quê. aperto essas teclas até sair… sair alguma coisa.
depois do almoço tem coisa demoníaca dentro do meu estômago. tira vida. tira cor. encosto, demônio, aspirador? mas passa, prometendo eternidade. me entrego como num passe divino.
sempre traz luz. obrigado
demônio.
deus do céu, o que to fazendo?
não. é o almoço
queria só uma tardinha com limonada e pastelzinho. jazinho se vai embora, mas pode ficar pra sempre também. QUE FIQUE! e vivendo de interrupções doces, acho suportável existir. ah, mas fui interrompido agora e perdi todo o sentido. preciso espremer. sai! sai? sai:
não.
é sempre não — o sim: pode entrar. a vida é quase possuir outras paixões. ou aprendi errado? sai do meu corpo.
ok, vou parar de brincar com isso.
to moleque. coço um pouco a cabeça e tento mergulho. navego na escuridão. mas por que a dúvida sempre tem o toque do mar? me nego a continuar. nao. navego. e vou. e quase me demoro em fazer analogias tentadoras.
é fome.
súbito um sorriso meu de um inesperado dito meu. autocentrado eu?
instigo
o impronunciável. preciso falar algumas palavras pra escrevê-las.
algumas sem lágrimas
choro.
e por que tá virando verso?
sem rima
nem padrão
bonito… de impressão
te lembra quem?
é só uma pergunta aberta, mesmo
realmente é fome
despretensão.
penso em sanduíche, milkshake de morango, batata frita. como sou cimples. e meio burro.
cimples
me surpreendo, no entanto.
há um lugar aqui? bem, se não… criemos um. olhe bem… estradas; cavalos; corujas… tudo isso uma infinidade: sei bem. sem direção sem motivo. de alguma beleza leve. por favor. agora temos um lugar tão pobre que o texto o negou. acho que são coisas que se criam sozinhas. sei que não. mas saber não é sentir verdade. e fico nesse abismo bem aqui:
caí.
nem sei onde to pescando essas palavras. deveria dar um nome pra esse rio? nego-me. chega de nomes.
abacaxi.
